Uma notícia circulou em todos os jornais e revistas em maio e levantou polêmicas no mundo científico e fora dele. Apesar disso ter ocorrido há alguns meses, decidi colocá-lo em pauta aqui para discutirmos.
A equipe de Venter inseriu um genoma artificial dentro de uma bactéria sem genoma e conseguiu fazer com que essa bactéria passasse a obedecer os comandos do novo genoma. A célula receptora é uma célula natural, não sintética, mas o que Venter e sua equipe mostraram é que, após o transplante e várias divisões celulares, a célula receptora assumiu algumas das características ou fenótipo do novo genoma nela inserido. A equipe agora pretende usar organismos sintéticos para descobrir qual o número mínimo de genes necessários para sustentar vida. Isso permitiria criar novos organismos, simplesmente adicionando genes a esse genoma mínimo.
O experimento custou cerca de US$ 40 milhões, necessitou do trabalho de 20 cientistas e levou mais de 10 anos para ser concluído.
A criação de uma bactéria sintética pelo americano Craig Venter e sua equipe foi considerada um divisor de águas na biologia. Acho que além de biologistas, a publicação fez muitas pessoas pensarem no assunto que sempre pertubou a cabeça do ser humano : a origem e criação da vida, que nada mais é que o questionamento da própria existência.
Abaixo alguns comentários de cientistas publicados no jornal Folha de São Paulo :
"É um avanço extraordinário, oferecendo uma prova de que, em teoria, é possível que genomas inteiros sejam sintetizados quimicamente, montados e implantados em células receptoras. Claro que precisamos ter cautela, já que não temos certeza de que essa abordagem funcionaria em genomas maiores e mais complexos. Ainda assim, este avanço representa um marco na nossa capacidade de criar células feitas pelo homem para fins estabelecidos pelo homem", concluiu Freeman.
O filósofo Mark Bedau disse a revista “Science”: "Este é um momento histórico na biologia e na biotecnologia”. “O trabalho de Venter o coloca numa posição próxima a Deus: a criação de vida que nunca poderia ter existido naturalmente", disse Julian Savulescu, professor de ética da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
Críticos, incluindo grupos religiosos, condenaram o trabalho. Eles temem que organismos artificiais possam escapar dos laboratórios e causar danos imprevisíveis ao meio ambiente.
Quem tiver interesse o artigo completo está disponível na revista Science.
E ai, o que vcs acham desta criação sintética? Será que estes avanços contribuem coma ciência? Qual o risco para a humanidade, se realmente existe?
Na verdade, estamos, como já foi dito, "Brincando de sermos Deus". Não vejo problemas nisso, dependendo das futuras intenções dos cientistas que criaram essa bactéria "geneticamente modificada". O meu questinamento, nesse caso, é: "o que vai levar a tudo isso, quais serão as consequências finais?" Se estas bactérias potencializarem ou, eventualmente tornarem-se uma nova forma de cura para determinada doença, tudo bem, mas se for direcionada para criar uma bactéria super resistente (para uso como arma biológica), aí já será necessário rever os propósitos desse experimento....
ResponderExcluirA cada passo que a ciência dá, é um caminho novo em direção ao desconhecido e muitas vezes é um caminho sem volta. Creio que essa nova descoberta tem dois lados distintos: um lado positivo, pois poderiam ser testados genes em pacientes com distúbios genéticos ou até mesmo pacientes oncológicos. No entanto, se usado de má fé, poderiam ser criados microoganismos resistentes com intuito à guerra, disseminando populações. É necessário muita cautela e atenção aos objetivos reais de uma pesquisa desse tipo, pois muitas vezes os pesquisadores creem criar algo, testando em animais experimentais e posteriormente em humanos, e perdendo o controle sobre seus atos, acarretando em um desastre biológico.
ResponderExcluirMas eu acredito no progresso da ciência com responsabilidade e controle sobre seus resultados e acho que ainda temos um caminho longo a percorrer, mas creio, que sempre haverão coisas novas a se descobrir, se criar ou até mesmo adaptar, pois a VIDA é muito COMPLEXA, e sem limites.